Prof. Pai Ronie de Ogum Onire Adiokô
Ilê Ogum Adiokô e Oya Tofã


 


Vale a pena ser feitiçeiro?

 

Já se disse que ser Babalorixá não é para aqueles que querem e sim para aqueles que nascem com este dom. A tentativa de vida fácil e sem trabalho faz com que alguns se dediquem exclusivamente a exploração financeira da religião, buscando clientes para realizar feitiços e não se preocupam na verdadeira função de um Babalorixá que deve ser a de ajudar o próximo, de promover o bem.

Existem Babalorixás que se mostram a seus filhos como grandes feitiçeiros, mestres para destruir pessoas. Mas qual o mérito disso? O fazem porque é mais fácil ou porque é o que se sentem mais a vontade em fazer? Ou ainda porque somente sabem fazer o mal?

Não é necessário ser de axé para saber que prejudicar a vida de alguém, destruir uma família, criar problemas para os outros é muito mais fácil. Especialmente no mundo espiritual, onde existem um sem número de espíritos que vagam pelo aye a procura de alimento. Vagam na tentativa de realizarem favores para evoluírem (explicação Kardecista, diram alguns para negar a verdade).

Difícel é achar aqueles que são conhecidos por suas boas ações, aqueles se são conhecidos por curar pessoas, por distribuir alimentos, por distribuir axé.

O axé de um Babalorixá é ampliado e fortalecido quando ajuda o próximo. Sendo assim o que é mais importante? ficar conhecido pelas promessas infundadas ou pelas realizações concretas. Cuidado! Muitos falam de ética, de honestidade, mas na prática o que fazem é falta de ética e falta de honestidade. Porque não existe ética e honestidade onde prevalece a mentira. Alguns no decorrer de sua vida constroem uma trajetória de feitiços para clientes, contra ex-filhos de santos, contra a verdade.

Quem se dedica a feitiços é corrompido por eles.

Um Babalorixá não precisa ficar conhecido por suas festas, por seus feitiços, pelas pessoas que conseguiu destruir, deve ficar conhecido por suas realizações. Pelas pessoas que ajudou, pelas doenças que ajudou a curar, pela união de seus filhos.

Não se deve incentivar filhos de santo a crescerem ao custo de derrubar outra pessoa. Devem sim, incentivar seus filhos a crescerem profissionalmente, pelo fruto de seu trabalho, por seu esforço e talento. A religião não é o remédio para todos os males, a religião deve ser o que conforta, o que ajuda no crescimento espiritual e humano.

Quem se dedica exclusivamente a feitiços (ou pelos a maior parte do tempo em suas casas) é porque com certeza não acredita na religião como forma de ligar o homem ao sagrado. Pois a religião deve ser para ajudar o próximo, para levar paz e tranquilidade a quem busca.

A busca incansável por feitiços, que muitas vezes sujam as ruas e águas de nossas cidades é o que faz com que praticantes de outras crenças religiosas falem de nossa crença, de nossa religião, de nossa fé. Enquanto algumas religiões criam Instituições e campanhas para ajuadar os outros, o povo batuqueiro decepciona a todos rotulando a religião de um local onde se pratica o mal e onde a falta de honestidade e ética prevalece.

E finalmente não se pode esquecer que todo mal realizado para outras pessoas sempre é dividido, entre quem faz, entre quem pede para fazer e na pessoa para quem o feitiço é realizado. Mas sendo assim, feitiço funciona? Depende. Se aquela pessoa para quem está sendo realizado o feitiço não é merecedora não surtirá efeito, e neste caso o feitiço será dividido somente entre quem fez e quem solicitou. É a Lei do retono. É a lei do Universo.

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* Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios. Publicado em 20/03/2012

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