A ESTAÇÃO DAS FOLHAS

 

por Pai Ronie de Ogum Adioko

 

O outono poderia facilmente ser chamado de estação das folhas, já que é quando a natureza através das mãos do Orixá Ossanha descansa, é onde as folhas velhas caem, para depois darem lugar as novas, é a renovação.

É quando a natureza prepara cada planta para depois florescer e brotar novamente.

A caída de cada folha antiga, não significa que estão em desuso, que não servem mais. É estas folhas que irão a ajudar a fertilizar novamente a terra, para favorecer uma nova germinação e brotação, é o ciclo constante da transformação do velho em novo.

Ossanha é quem decide quando uma folha cai, e quando uma folha nasce, segundo a tradição yoruba "nenhuma folha cai, sem que Ossanha autorize", é ele o único detentor do segredo de todas as folhas, é o único que conhece a magia de como utilizar cada folha, é o Orixá médico. É ele quem está ao lado dos médicos durante uma cirurgia, nos momentos de angústia por uma doença. É Ossanha quem nos orienta para saber qual folha medicinal utilizar em cada enfernidade.

Existe um provérbio yoruba, muito difundido que diz kosi ewé kosi orisá (sem folhas não existe Orixá), que nos faz refletir da importância das folhas nos cultos africanistas. Todo iniciado antes de uma obrigação faz banho de ervas (maceradas), assim como as vasilhas e ferramentas que acompanharam a obrigação. Com o Axé de Osssanha somos todos iniciados na religião africanista.

Segundo Santos (2008) "Osányìn é representado pela cor verde, uma qualidade de preto. O "sangue" das folhas, que traz em si o poder do que nasce, do que advém, abundantemente, é um dos àse mais poderosos. Em combinações apropriadas, elas mobilizam qualquer ação ou ritual; daí a necessidade constante de seu uso".

É fácil entender a relação que o Orixá Ossanha possui com a natureza e a relação que os demais Orixás possuem com Osssanha.

Dentre os Orixás cultuados no Batuque do Rio Grande do Sul, devemos ainda destacar os Orixá Ogum e Odé/Otim, que segundo Santos (2008) "Ògún está profundamente associado ao mistério das árvores e consequentemente a Òrìsàlá" e Odé "se diferencia de Ògún, particularmente, porque está ligado diretamente à terra virgem e não especificamente à árvore".

Reverenciar a natureza em toda a sua plenitude, em todas as suas estações é cultuar a religião africana que é ecológica e fudamentada na relação do homem com o sagrado.

 

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REFERÊNCIA

SANTOS, Juana Elbein dos. Os Nàgô e a morte: Pàde, Àsèsè e o culto Égun na Bahia; traduzido pela Universidade Federal da Bahia. 13 ed. Petrópolis, Vozes, 2008.

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* Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios. Publicado em 11/04/2012 Revisado em 01/11/2015

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