Ilê Orixá faz limpeza de fim de ano para receber

2016 - O ano de Iemanjá

"Iagbá odê irê xê

Aki é Iemanjá

Akoko pe ilê gbê a oiô

Odô ofi a xá ueré ô."

 

A velha mãe chegou fazendo-nos felizes, nós cumprimentamos Iemanjá.

A primeira que chamamos para abençoar nossa casa e dar satisfação.

Usar seu rio que escolhemos para nos banharmos,

O rio que escolhemos é o rio  que usas para seu banho.

 

Dezenas de amigos e filhos do axé realizaram a limpeza de fim de ano no dia 20 de dezembro de 2015, para receber o ano de Iemanjá. Fazer uma limpeza de fim de ano é fundamental para o recomeço, pois é desta forma que nos llibertamos de nossas energias desgastadas pelo ano que se encerra, para ter condições e força de iniciar o ano novo.

Dentro da tradição africana chamamos de Orò Ọ̀sẹ́ ( ritos de renovação do tempo), que possuem com finalidade eliminar falhas, impurezas, problemas entre outras coiosas. Existem vários tipos de de renovação dentro da tradição yoruba. Quando se faz o Ọ̀sẹ nos orixás antes de cortar por exemplo é um tipo. É a partir da renovação, que no Rio Grande do Sul chamamos de limpeza que temos a possibilidade de recomeçar com novas energias, novas forças.

Quem não faz a limpeza e inicia um novo ano, não se purifica, é como se servir em um prato sujo, é estar com a casa suja para receber a sua visita. Estar limpo na tradição africana é de extrema importância, pois orixá gosta de limpeza. Estar limpo para iniciar o ano é estar pronto para receber novas energias, novas conquistas, novas forças, é reestabelecer nossa saúde, nossa harmonia e nossa vida.

Ao término da limpeza os axés de limpeza são despachados na rua, um dos únicos momentos dentro de nossa liturgia que os axés não ficam dentro do axé, por se tratarem de axés de limpeza.

PARA ENTENDER UM POUCO O ANO DE 2016

Na tradição do Batuque do Rio Grande do Sul é comum ser atribuído o orixá do ano de acordo com o dia da semana que o ano se inicia, no entanto isso não é consenso dentro da tradição africana. No candomblé bahiano por exemplo o orixá do ano é determinado de acordo com consulta com ifá, e ainda dentro de cada terreiro.

Para o batuque o ano de 2016 será regido por Iemanjá, com seus filhos Bará Agelú, Odé/Otim e um pouco de influência de Oxalá. Iemanjá que no Brasil foi sincretizada com o mar, na África está ligada ao rio Yemoja, é um orixá ligado a maternidade, a família, e a fertilidade.

Odé/Otim são os orixás ligados a prosperidade, a fartura, a abundância, estão ligados aos objetivo da vida. Com a flecha Odé atinge diretamente seu alvo, por isso é o orixá ideal quando se precisa buscar algo que não se consegue, que está difícil de atingir, de buscar. Oxalá está ligado a harmonia, a paz, a misericórdia, está ligado também a saúde.

É importante lembrar que os orixás regentes do ano, não definem unicamente nossas perspectivas, que dependem também do ori, de nosso odu, de nossos orixás pessoais. Para defirmos nossas perspectivas de futuro o mais importante são nossas atitudes no nosso passado e presente.

Iemanjá é um orixá ligado a água, mas águas podem ser calmas ou agitadas, a natureza nos devolve o que lhe damos, aos que tratam os orixás e a sua morada que é natureza com respeito e carinho podem esperar águas calmas e acolhedoras, e as que não possuem boas atitudes devem tomar cuidado com a agitação da água.

Aos filhos do axé Ilê Orixá, todos ainda ficam sob a influência de Ogum e Oya. Ogum representa o trabalho, a tecnologia, a força bruta e conquista de novos objetivos, e Oya o vento, a família, a união. Que o ano de 2016 seja um ano que traga ventos de properidade, de fartura, de alegria, saúde e união, e que Iemanjá esteja sempre ao lado de todos os que buscam novos rumos para o ano que se inicia.

 

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Publicado em 09/01/2016

 Lei de Direito Autoral nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.