Prof. Pai Ronie de Ogum Onire Adiokô
Ilê Orixá Ogum Adiokô e Oya Tofã

Licenciado em Matemática - Uniasselvi
Graduando em Química - Ulbra

A CONDUTA CORRETA DE UM OMORIXÁ

 

Ser um Omorixá (filho de Orixá) é estar dentro de uma Casa de Axé para aprender. E para aprender é necessário fazer, não se aprende em livros ou manuais. A religião é aprendida na vivência diária.

Somente se aprende a religião participando em todos os momentos. Todo Babalorixá ou Yalorixá um dia já foi um Omorixá, mas nem todo Omorixá será um dia um Babalorixá ou Yalorixá, por que nem todos estarão dispostos a sacrificar horas para aprender, sacrificar dias nas comidas de axé, nos serões e no dia-a-dia de uma Casa de Axé.

Estar presente é fundamental, de nada adianta estar com belas roupas em festas se você não está disposto a se sujar no dia-a-dia.

Aqueles que um dia querem ser Babalorixás ou yalorixás devem saber fazer, e fazer cada etapa religiosa. Ficar sempre a espera dos outros fazerem, nunca irá aprender.

Os antigos dizem que a religião inicia na cozinha, se referindo no sentido que é necessário saber preparar as comidas de axé, a preparar as comidas de serão servidas aos que estão de obrigação, e a própria limpeza de vasilhas e loças, que se deve ter após o preparo.

Depois de saber e participar ativamente o Omorixá precisa começar a entender as obrigações, mas as obrigações, novamente é preciso participar para aprender, como irá aprender a fazer ebi sem participar, como entenderá um bori se antes não estiver presente em um bori. Como entender uma levantação, se nunca estiver presente em uma.

Existem três tipos de omorixás, os que querem aprender, e se esforçam para aprender, os que querem aprender e não se esforçam em nada, e os que não quem aprender, mas querem que tudo aconteça, buscam apenas receber, sem nada dar em troca.

Somente os primeiros é que terão condições de realmente aprender. Ser do axé é estar disposto a aprender e não estar apenas a espera para as coisas acontecer.

Um Omorixá compreende que ser de axé não significa estar presente em momentos em que precisa buscar alguma coisa ou quando existem pessoas de maior afinidade, e sim em todos os momentos, quando uma obrigação é levantada, quando se passa um axé, quando se troca o Bará ou quando simplesmente será realizada uma limpeza.

Como pedir ajuda para o Orixá Bará para um emprego, para receber dinheiro, se nunca estamos presente na troca de seus axés?

Como pedir justiça para Xangô se não estamos dispostos a fazer justiça com nosso irmãos?

Ser do axé é estar disposto para aprender, para ajudar e para receber sem esperar.

A gente não nasce um Omorixá, nos aprendemos. Um Omorixá começa ficar "pronto" quando percebe que existe muito ainda para ser aprendido, quando aprende que Orixá é simplicidade, é amor e respeito por todos, e se afasta enquanto faz discórdias, intrigas e vê somente defeitos entre seus irmãos do axé.

 

 

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* Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios. Publicado em 18/04/2013

 Lei de Direito Autoral nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. 

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