Prof. Pai Ronie de Ogum Onire Adiokô
Babalorixá no Ilê Orixá Ogum Adioko e Oya Tofã, Licenciado em Matemática pela Uniasselvi (2013), Pós-Graduando em Especialização em Mídias na Educação, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.

 

AXÉ: A BASE DA RELIGIÃO TRADICIONAL AFRICANA

 

Muitos de nós que somos iniciados na religião africana não entendemos o que significa de fato ser do axé, pois axé é muito mais do que uma palavra, é muito mais que uma ação é um conjunto todo de objetos, ações, comportamentos e tantos outros que fazem com que esta força dinâmica que conhecemos na religião africana seja estendida a outros.

Quando pedimos axé, estamos pedindo força, se encerramos um frase com axé, estamos desejando que seja assim, que venham forças de fartura de prosperidade, de união, de amor, de discernimento do certo e do errado.

Para Prandi (1991) "Axé é força vital, energia, princípio da vida, força sagrada dos orixás. Axé é o nome que se dá às partes dos animais que contêm essas forças da natureza viva, que também estão nas folhas, sementes e nos frutos sagrados. Axé é bênção, cumprimento, votos de boa-sorte e sinônimo de Amém. Axé é poder. Axé é o conjunto material de objetos que representam os deuses quando estes são assentados, fixados nos seus altares particulares para ser cultuados. São as pedras e os ferros dos orixás, suas representações materiais, símbolos de uma sacralidade tangível e imediata. Axé é carisma, é sabedoria nas coisas-do-santo, é senioridade. Axé se tem, se usa, se gasta, se repõe, se acumula. Axé é origem, é a raiz que vem dos antepassados, é a comunidade do terreiro. Os grandes portadores de axé, que são as veneráveis mães e os veneráveis pais-de-santo, podem transmitir axé pela imposição das mãos; pela saliva, que com a palavra sai da boca; pelo suor do rosto, que os velhos orixás em transe limpam de sua testa com as mãos e, carinhosamente, esfregam nas faces dos filhos prediletos. Axé se ganha e se perde".

Tudo em um terreiro é dotado de axé e tudo que é realizado dentro do culto correto ao Orixá de acordo com a ancestralidade, com os costumes, os fundamentos e a aprendizagem diária dentro de um terreiro também possui axé, que se amplia a cada dia, se fortifica e se sustenta.

Em uma casa de religião axé é tudo que sabemos o que compartilhamos e o que não compartilhamos, o que querenos que os outros saibam e também aquilo que não queremos. Como dizem os antigos, para tudo tem um tempo certo, um momento de acontecer. Religião se aprende na prática diária dentro do terreiro, quem quer ter mais axé, deve ir mais a sua casa de religião, participar mais, praticar mais e enfim aprender mais, com suas mãos e pela oralidade. Para receber axé é preciso doar tempo, dedicação e assumir responsabilidades.

Uma casa pode ter mais facilidade de curar uma doença do que outra devido ao axé que aquele local possui para isso, assim como outra pode ter um axé melhor para trazer um emprego. O axé cresce quando trabalhamos para isso, quando nos dedicamos, quando nos doamos para religião, quando entregamos nossa vida para o Orixá, e fazemos com que ele determine o melhor caminho para cada um. Isso também é axé.

Pai Sérgio de Xangô Godô, costuma dizer, se referindo ao seu Ilê, que quanto mais se plantam obrigações em sua casa, tanto mais sagrado se tornava o solo em que pisamos, devido ao axé plantado.

Todas as nossas ações rituais determinam o nosso axé, que pode ser potencializado ou minimizado. E nesta etapa é importante destacar que somente podemos transmitir adiante o que possuímos, se diminuímos o nosso axé a capacidade de transmití-lo também é diminuída, por outro lado se ganhamos um novo axé ou se potencializamos o nosso axé já existente a nossa capacidade de transmissão e de resolução de problemas também é ampliada.

Quando nossa conduta é de ajudar as pessoas, nos mais variados aspectos, recebemos axé, isso significa que aumentamos nossa capacidade de ajudar. Dentro da religião africana, recebemos o que transmitimos: ao ajudar um doente, recebemos saúde, ao servir somos servidos, ao ajufdar alguém que está desempregado a conseguir um emprego, recebemos mais axé de emprego para ajudar também outras pessoas, e em consequência nunca nos falta emprego também

A algum tempo atraz escutei um Orixá que estava manifestado um filho, em outra bacia, dizer ao ser padrinho de axés de obé e ifá "- que você use este axé para ajudar a todos que baterem em sua porta, tendo dinheiro ou não. Pois ninguém que é de axé lhe falta uma casa para morar, um alimento para passar o dia. Muitas vezes não recebemos na hora, mas com certeza sempre somos ajudados".

O axé pode ser transmitido de uma pessoa para outra, mas não necessariamente o axé recebido será o mesmo que foi transmitido, pois depende da conduta de quem o recebe, que pode fazer com que este axé seja maximizado ou reduzido, conforme aumentamos nosso axé melhoramos nossa vida, nos mais variados momentos.

Humildade também é axé, pois sabemos que são os Orixás os detentores do sagrado, dos mistérios que não conhecemos e por isso não justifica não ser humilde.

O Axé é uma força capaz de transformar, de construir, de inovar, de trazer felicidade e união. É único, cada um possui o seu axé, proveniente de sua raíz religiosa e de seu Orixá. Cabe a cada um de nós fazer com que este axé seja multiplicado, estendido e perpetuado.

Um Orixá também amplia seu axé, quando faz obrigações, quando recebe axé de fala, quando sua família religiosa aumenta. Seu axé é multiplicado quando mais pessoas possuem fé nele, acreditam na força de seu axé. Logo a fé individual de cada um é fator importante para poder entender o que é axé. Quer aumentar seu, cuide a conduta ritual e a sua fé. Se sua fé é inabalável e sua conduta correta, e você é humilde, nada e ninguém pode fazer algo que o prejudique. São os pilares da religião.

Enfim, para aqueles que querem entender como funciona a religião africana, sobretudo o batuque do Rio Grande do Sul, deve procurar primeiramente entender o que é axé, esta força que nos move, que nos faz crescer.

 

 

REFERÊNCIAS

PRANDI, Reginaldo. Os candomblés de São Paulo: a velha magia na metrópole nova. São Paulo, Hucitec e Edusp, 1991.

 

 

 

 
 

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 * Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios. Publicado em 06/08/2014

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