Prof. Pai Ronie de Ogum Onire Adiokô
Babalorixá no Ilê Orixá Ogum Adioko e Oya Tofã, Licenciado em Matemática pela Uniasselvi (2013), Graduando em Química pela Ulbra, Pós-Graduando em Especialização Matemática para Professores pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG, Pós-Graduando em Especialização em Mídias na Educação, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.

 

Axerô não é Ibeji

 

Nos rituais de nação do Rio Grande do Sul (batuque) são cultuados os Orixás Bará, Ogum, Oya, Xangô, Odé/Otim, Obá, Ossanha, Xapanã, Ibeji, Oxum, Iemanjá e Oxalá. Dentre estes Orixás possuímos suas qualidades individuais, que retratam características específicas para aquele Orixá e aquela qualidade.

As qualidades cultuadas, estão de acordo com a nação, em nossa casa de nação Oyo e Jeje, Bará pode ser Agelú, lanã, adaque e Lodê por exemplo.

Estes Orixás quando se manifestam chegam na forma chamada de inteira, que apresenta o Orixá com toda a sua força e plenitude. É nesta forma que o Orixá vai transmitir seu axé as pessoas, dar uma palavra de conforto quando tiverem fala.

Orixá para ir embora pode ir da mesma forma que chegou (inteira) ou na forma de axerô, um estado de transição entre o Orixá e o homem. O axerô desta forma, não é completamente Orixá, mas também não é completamente homem.

O mais comum é que o Orixá para ir embora, é necessário que o Orixá se afaste gradativamente, que suba, como dizemos, de forma não acelerada, para que o seu filho fique bem, e a sua consciência seja reestabelecida de forma adequada, é o que chamamos de axerô (acherê).

Na chegada do axerô é servido mel ou epô, ou os dois, água (omi), de acordo com a feitura de cada um, além de refrigerante. O refrigerante além de servir para hidratar o axerô, possibilita remover da boca do filho que está ocupado com o Orixá o gosto do mel e/ou do epô.

Antes de subir, o Orixá passa por um estado intermediário, chamado de axerô, forma em que o Orixá tem por objetivo reestabelecer a pessoa, o Orixá fica em axerô para que seu filho fique bem, para que sua saída não deixe seu filho ruim, este estado intermediário, de forma nenhuma é uma criança.

"O comportamento da pessoa incorporada [ocupada], no estado de acherê, em geral é o de uma criança, pois, fala um tanto atrapalhado, outras vezes trocando o sim pelo não, o certo pelo errado e a frente pelas costas, na sua maneira de se expressar" (Ferreira, p. 28, 2007).

"O acherê é, em princípio, o mediador entre o Orixá e o iniciado no transe de incorporação do Orixá no mesmo" (Ferreira, p. 28, 2007)

O axerô brinca, ri, mas continua sendo o Orixá com a mesma força, com a mesma energia, mas se afastando gradativamente. Quando o Orixá sente que seu filho está bem, está recuperado (já que a chegada de um Orixá desgasta seu filho), este vai embora. É uma forma de se reestabelecer.

Na nação do Orixás cultuamos dois Orixás na forma de criança, os Orixás Xangô Aganju Ibeji e Oxum Panda Ibeji, que representam a inocência das crianças, a pureza e a sua vitalidade e alegria.

Os Orixás Ibejis são crianças, os axerôs, são os mesmos Orixás adultos, na forma próxima a uma criança, que brincam, que são menos sérios que o Orixá na forma inteira. O que faz com que a maioria das pessoas prefiram contato com os axerôs em vez de se dirigirem diretamente ao Orixá na forma inteira.

Se assim não fosse, ou seja, se os axerôs fossem crianças, o que seriam então os ibejis? como explicar os axerôs dos Orixás Ibejis, pois se estes são crianças e nisso todos concordam, os axerôs deles são pré-crianças?

Cada casa cuida de um axerô de uma forma e todos aprendem o que lhe é ensinado, por isso deve-se cuidar o que se ensina, o que se faz na sua frente, pois rapidamente ele aprende, e logo estará reproduzindo o que lhe foi ensinado. Especialmente no Ilê Orixá, os axerôs não fumam, não usam brincos ou brinquedos. Não pede presentes ou agrados. Axerô não é Cosme, não vamos misturar as coisas.

Nós do Ilê Orixá, uma casa de tradição Oyo e Jeje, respeitamos todas as feituras, mas entendemos e cultuamos axerô desta forma.

REFERÊNCIAS

FERREIRA, Paulo Tadeu Barbosa. Os fundamentos religiosos da nação dos Orixás: Nação de Cabinda. 3 ed. rev. amp. Porto Alegre: Toqui, 2007.

 

 
 

É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site, sem autorização por escrito - A apropriação indevida é crime. Para citar qualquel coisa deste site é preciso citar a fonte a autoria. Ilê Orixá -2011 - 2015 Designer Pai Ronie Ogum Onire -

Lei de Direito Autoral nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. 

* Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios. Publicado em 26/02/2014 Revisão 17/03/2014

ATENDIMENTO COM HORA MARCADA

Rua Vidal Brasil, 559 - Novo Mundo - Gravataí - RS Fone: (51) 34974127 - 98382598 contato@ileorixa.com.br -

WhatsApp Pai Ronie 51 98382598 Pai Alexandre 51 82933850