Prof. Pai Ronie de Ogum Onire Adiokô
Babalorixá no Ilê Orixá Ogum Adioko e Oya Tofã, Licenciado em Matemática pela Uniasselvi (2013), Graduando em Química pela Ulbra, Pós-Graduando em Especialização Matemática para Professores pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG

OS CÂNTICOS NOS RITUAIS AFRICANOS

Na religião africana, a música é uma forma de comunicação do homem com o sagrado. É caracterizada pelo som de tambores e outros instrumentos de percussão, através da música nos comunicamos com as divindades, e com nossos ancestrais. Para a tradição Yorubá o axé também está presente em todo som produzido. Em tudo que falamos, no toque produzido pelos instrumentos musicais e sobretudo inclusive no som produzido pela natureza.

Através da música nossos Orixás se manifestam no Aye, e fazemos com que o local se torne mais sagrado e possível de receebr a energia sagrada dos Orixás. Assim por exemplo o barulho do trovão representa Xangô, que mostra sua força pelo som.

Para Araújo (2012)"os tambores, nesta perspectiva, são vistos como seres vivos, são iniciados no culto como qualquer ser humano em nome de algum Orixá, são alimentados para reforçar o seu axé, e em dias de festa são vestidos com um pano em feito de echarpe chamado ojá, nas cores do seu orixá patrono. Visitantes, filhos de santo e as próprias divindades, sempre saúdam primeiro os tambores sagrados. Sacralizados, os atabaques são os responsáveis por trazer o Orixá à terra, até à cabeça do iniciado a ele dedicado".

Para o batuque do Rio Grande do Sul, os tambores pertencem essencialmente para o Orixá Xangô, e cabe a eles rituais específicos para consagrar o tambor, para que esteja apto para a utilização em rituais. Da mesma maneira que uma pessoa é iniciada nos rituais afro, os tambores também são iniciados. Bem como os alabês que irão utilizar os tambores como instrumentos ritualísticos.

O som é umas formas do homem vivenciar e se comunicar com sagrado, é uma forma do homem "chamar a atenção", dos Orixás para se comunicar. A religião africana, é alegre e ritualística. E os Orixás, seres intermediários entre os homens e Olodumare (Deus Supremo, criador de todas as coisas, inclusive dos Orixás), são dotados de algumas características humanas, com isso os cânticoas alegres também fazem os Orixás alegres, os fazendo dançar com alegria, enquanto alguns cânticos os fazem dançar de forma mais cadenciada, como se pedindo misericórdia.

Santos (2008, p. 48) destaca que "os sons produzidos pelos intrumentos agém sós ou em conjunção com outros elementos rituais. Constituem formidáveis invocadores das entidades sobrenaturais".

Com o som dos atabaques, e tambores, criamos uma energia propensa a manifestação dos Orixás.

Santos (2008, p. 48), coloca ainda que "toda a formulação de som nasce como uma síntese, como um terceiro elemento provocado pela interação ativa de dois tipos de elementos genitores: a mão ou a baqueta percutindo no couro do tambor, a vareta batendo no corpo do agogo, o pêndulo batendo no interior da campainha àjà, a palma batendo no punho etc".

É necessário seja cuidado o que um filho do axé pronuncie, o seu dia, pois as palavras são vivas, tudo que falamos, intervem no nosso dia, em nossa vida. Uma pessoa, que em seu dia-a-dia, faz o tempo todo a pronúncia de palavras inadequadas, de certa forma atrai para sí estas palavras. Nossas ações são vivas e determinam nosso futuro.

"A palavra é atuante, porque é condutora do poder do àse. A fórmula apropriada, pronunciada num momento preciso, induz a ação. A invocação se apoia nesse poder dinâmico do som. Os textos rituais estão investidos desse poder" (Santos, 2008 49 p.)

"Recitados, cantados, acompanhados ou não de instrumentos musicais, ele transmitem um poder de ação, mobilizam a atividade ritual. O oral está a serviço da transmissão dinâmica. Há textos apropriados para cada circunstância ritual, sempre transmitido no nível das relações interpessoais concretas" (Santos, 2008 49 p.)

Compreender os diversos cânticos rituais, e momento adequado para sua utilização miniza a comunicação entre Orun e Aye, além de minimizar problemas também relacionados pela interpretação inadequada nos rituais afro.

Lima (2007) destaca que "com a música, o povo de santo invoca e festeja suas divindades, louva as forças da natureza, reza por seus mortos, inicia seus sacerdotes, manipula ervas sagradas, ajuda a curar doentes do corpo e do espírito. E muito mais. A música, nessa perspectiva religiosa, é elemento-chave na intermediação com o sagrado. A palavra revestida de som musical ganha o que em alguns ramos da tradição se diz por axé, poder espiritual, princípio de ação e transformação".

A música de forma nenhuma pode ser observada como uma mera festividade, faz parte da ritualística e deve ter o mesmo cuidado e repeito e que os demais atos litúrgicos. Através da música e dos cânticos cantados os Orixás se manifestam, chegam a todos e nos confortam.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Anderson Leon Almeida de. Entre atabaques, samba e Orixás. Revista Brasileira de Estudos da Canção – ISSN 2238-1198
Natal, v.1, n.1, jan-jun 2012. Disponível em: www.rbec.ect.ufrn.br

LIMA, Luís Felipe de. Oxum: a mãe da água doce. Rio de Janeiro: Pallas, 2007.

SANTOS, Juana Elbein dos. Os Nàgô e a morte: Pàde, Àsèsè e o culto Égun na Bahia; traduzido pela Universidade Federal da Bahia. 13 ed. Petrópolis, Vozes, 2008.

 

 

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* Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios.

Publicado em 10/04/2013 Atualizado em 10/06/2013

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