Prof. Pai Ronie de Ogum Onire Adiokô
Babalorixá no Ilê Orixá Ogum Adioko e Oya Tofã, Licenciado em Matemática pela Uniasselvi (2013), Graduando em Química pela Ulbra, Pós-Graduando em Especialização Matemática para Professores pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG, Pós-Graduando em Especialização em Mídias na Educação, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.

 

QUEM É DEUS ?

Igi t' Olórun gbìn

kò s`eni t`o lè fà a tu

'A árvore que Olorun planta

Nínguém poderá arrancar

 

Deus se manifesta na Terra a partir da sua criação, a natureza, o Universo, os sentimentos e os Orixás, seres criados por Deus, dotados de poderes sobrenaturais responsáveis pela harmonia do Aye.

Na religião tradicional africana, Deus recebeu várias denominações, no entanto as que mais se repetem em alguns escritos, e fundamentado pela oralidade africana é Olorum e Olodumare.

"Olòrun é chamado Olódùmarè em numerosos textos de Ifá e aparentemente ambos são utilizados indistintamente" (SANTOS, 2008 p. 73)

"Olórun ou Oba-órun - Rei do òrun - a entidade suprema, é o grande detentor dos três poderes ou forças que tornam possível e regulam toda a existência, tanto no òrun como no àiyé: ìwà + àse + àbá e foi Ele quem os transmitiu aos Irúnmalè de acordo com as funções que lhes foram atribuídas" (SANTOS, 2008 p. 72).

"Os Babalaôs dizem que, no princípio, só havia Olorum, mais comumente chamado de Olodumarê, único, imenso, total. Mas veio o tédio e o dominou, e sua plenitude não mais o satisfez. Então, Olorum se cindiu, fazendo surgir elementos diferentes de si mesmo. Esse dom de multiplicidade deu origem ao mundo, através de uma força única refletida em várias direções. Olorum é considerado como força suprema que domina o mundo; as inúmeras forças que o cercam não podem ser definidas como boas ou más" (COSSARD, 2011 p.15-16)

Olodumare é o Deus yorubá supremo, é único, total, criador do Universo, de tudo que conhecemos e tudo que não conhecemos. Representa a perfeição, está acima da compreensão humana, acima do bem e do mal, a soma de todas as coisas, pois cada parte de qualquer coisa é uma parte sua, criada por ele. Pois tudo é sua criação, é eterno.

Almeida (2006) deixa claro que entre os atributos de Olodumare podemos citar que ele é criador, é unico, é imortal (é eterno, É descrito como "óyígíyigí otá ìkú" - A grande pedra imóvel que nunca morre), é onipotente ( "Oba a sè kan ma kú" - O rei cujos trabalhos são feitos com perfeição. As coisas que ele aprova são bem sucedidas, mas as que não recebem sua bênção tornam-se difíceis ou impossíveis. Há um ditado que diz: "A dùn íse bi ohun tí Òlodumarè l'owo sí. A sòrò íse bi ohun tí Òlodumarè kò l'owo sí" - Fácil de fazer como aquilo que recebe a aprovação do criador; difícil como aquilo que o criador não aprova.), É omnisciente

Ainda para Almeida (2006) O povo diz também que Olodumare é "Aìsàn ló dùn íwò, a kò rí t'Olojo se" (A doença pode ser curada, mas a morte pré-determinada não se pode evitar), porque crêem que o "Controlador dos Acontecimentos Diários" (outro nome para Olodumare) pré-determinou o que acontecerá a cada pessoa em cada momento da vida, inclusive a morte, e esse dia não pode ser mudado.

Por esse motivo chamam-no também de Olorun Alagbara (deus poderoso), Oba ti dandan re ki isele (rei cujas ordens nunca deixam de ser cumpridas) e Alèwi-Lese (aquele que põe e dispõe como quiser).

"É omnisciente - Tem conhecimento de tudo. Tudo sabe, tudo ouve e tudo vê. É chamado de eleti igbo aroye (aquele que sempre ouve as queixas das pessoas), e também A-rinu-rode olumo okan (Aquele que vê o lado de fora e o lado de dentro das pessoas, o desvendador de corações)".

Na tradição africana a religiosidade anda sempre junta com a vida de cada um, tudo é explicado pela religião que influencia desde o nascimento até a morte de cada um

Embora Olodumare não tenha dado condições do homem de modificar o seu destino final pode ele fazer inferências no seu destino, pode mudar algumas coisas, sem contudo modificar o plano final. Já nascemos determinados de que forma iremos viver, em que família iremos nascer, o que faremos em nossa vida e também de que forma iremos morrer. Mas nos é possível evitar sofrimentos, minimizar caminhos e melhorar a qualidade de vida. É importante destacar que os yorubas acreditam que sob determiandas circunstâncias esses caminhos pre-definidos (e escolhidos por cada um antes do nascimento) podem ser modificados por terceiros, neste caso a vida as vezes é abreviada, antes do que estava determinado.

Desta forma derruba o que muitos religiosos dizem quando falam que Olodumare está distante de nós, que não escura nossas preces e que não podemos se comunicar com ele.

"É rei e juiz - Olodumare é visto como um rei muito importante e um juiz imparcial. Chamam-no Obá a dake dajo - O rei que senta em silêncio e distribui justiça. Os iorubá acreditam que ele vê tudo: Bí Oba aiye ko ri o, ti oke 'nwo o (Se o rei da terra não vê você, o rei do céu o vê)".

Se Olodumare é capaz de ver tudo, saber tudo não é possível imaginar este Deus, como um ser distante do ser humano, pois como alguém que está distante, que não acompanha o ser humano em sua vida cotidiana e em suas angústias diárias , como pode ele ver tudo?

"É transcendente - O criador é concebido como um ser social, interessado no que acontece com as pessoas. Protege aqueles que viajam, ou que vão dormir. Ouve as pessoas onde quer que elas se encontrem".

O povo iorubá não lhe ergue templos, mas seu nome está sempre no pensamento das pessoas nas orações ou agradecimentos, em ditados e provérbios. Eles sabem que o ser supremo é o criador e governante do universo, enquanto as divindades, criadas por ele, são seus intermediários.
É descrito pelo povo como Atererekaye (aquele que faz o mundo todo sentir a sua presença) ou Ogbigbà tí 'ngbá alailara (o que vem para ajudar aqueles que precisam).

É a partir dos Orixás, que nós seres humanos temos condições de nos aproximar do sagrado, e desta forma compreender a Deus, compreender a Olodumare.

Olodumare, não é inatingível, mas não existe nenhum culto específico a ele, pois é a partir dos Orixás que nos comunicamos com o sagrado.

"... Olodumare, domina o mundo. Mas ele está muito longe para se interessar diretamente pelos homens; por isso não lhe rendemos nenhum culto. No entanto, esse Deus delegou poderes a seus ministrosos Orixás, que regem o Universo e dividem entre si as forças da natureza.

Olodumare vive em um mundo paralelo ao nosso chamado de òrun, enquanto nós vivemos no aye, embora estes dois mundos esteja muito distante um do outro, isto não faz com que Olodumare não conheça individualemnte a vida de cada um, e que não entenda as angústias pessoais de cada ser humano.

Essas forças incluem, no espaço, os elementos (água, lama, terra, fogo, pedra, metais), suas manifestações (chuva, raio, trovão, arco-íris), o mundo vegetal e o mundo animal (homens e animais). No tempo, incluem-se todos os fenômenos naturais: nascimento, crescimento, atividades humanas, doenças, morte.

Concebidas como seres animados e agem segundo uma personalidade bem determinada, com seu campo de ação, suas preferências e repugnâncias. Como essas divindades não são em essência nem boas nem más, é possível que o homem possa conciliá-las; mas só conseguirá fazê-lo se já tiver adquirido o conhecimento e a sabedoria necessários. Algumas vezes a uma interação ou, até mesmo, luta e oposição entre elas, daí podendo resultar um conflito ao qual o homem pode estar associado.

É a partir dessas forças que se concebe a noção de axé. O axé é a força espiritual, oriunda de Olodumarê, que se espalha no mundo que Ele criou, assim, cada pedra, cada folha, cada bicho, cada ser humano, cada gota d'água participa do axé divino, que vai se transmitindo de uns para os outros" (COSSARD 2011 p.35-36)

Todo axé vem de Olodumare, que é o próprio axé, ele é a força que impulsiona a realização de todas coisas, pois todas as coisas que existem são parte dele, e criadas por ele.

Tudo o que existe está impregnado de axé, e tudo faz parte de um Universo plenamente criado por Olodumare, o que nos faz refletir que tudo o que existe é sagrado, é parte de Deus.

Olodumare não é bom ou ruim, é perfeito, é sempre justo, e criou os Orixás para guiarem o ser humano no aye. Para tentar entender Deus é preciso nos desprender de noso mundo profano e mergulhar no mundo do sagrado.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Maria Inez Couto de. Cultura Iorubá - Costumes e Tradiçoes. Rio de Janeiro: Dialogarts, 2006.

COSSARD, Gisèle Omindarewá. Awó: o mistério dos orixás. 2 ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

SANTOS, Juana Elbein dos. Os Nàgô e a morte: Pàde, Àsèsè e o culto Égun na Bahia; traduzido pela Universidade Federal da Bahia. 13 ed. Petrópolis, Vozes, 2008.

 

 
 

 

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 * Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios. Publicado em 19/06/2013

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