Prof. Pai Ronie de Ogum Onire Adiokô
Ilê Ogum Adiokô e Oya Tofã

 

A RENOVAÇÃO DAS ÁGUAS

Omi adágún um b'èérí lójú, èyí tó nlo para nbo ló nmo. 

Água estagnada está repleta de sujeira, com o fluxo permanece limpa

 

Ao término do outono inicia-se o inverno, onde a energia sagrada dos Orixás Oxum, Iemanja e Oxalá está em grande evidência, já que é o momento da renovação das águas da natureza. É quando rios e cachoeiras se transbordam para terem condições de enfrentar as estações de seca, é a renovação das águas, a renovação do Axé.

É quando a natureza limpa seus córegos e rios, expulsando tudo aquilo que não lhe pertence, quando suas águas transbordam e o lixo jogado em suas águas é retirado.

Na religião tradicional africana, essencialmente no Batuque do Rio Grande do Sul, o uso da água (omi) é de grande importância, é o axé da fertilização. Em uma obrigação lava-se tudo com água pura antes do início de qualquer ritual. E para todos os Orixás são servidas quartinhas cheias de água, renovadas a cada semana, que servem para fortalecer o axé de cada Orixá no terreiro.

Os ocutás também são lavados em água, antes de serem colocados em mieró. Quando uma obrigação é plantada, antes o buraco é aliviado com água. Algumas pessoas fazem isso macanicamente, sem se questionarem o porque. Não basta fazer, é necessário saber o que se está fazendo, e entender o porque se faz de uma determinada forma.

A água é o agente condutor do axé, é ela quem fertiliza a terra para multiplicar o axé, analogicamente se molha uma planta para ela se desenvolver, para dar frutos. Se serve água aos Orixás para eles multiplicarem o axé, para se desenvolverem no terreiro e solidificar sua força.

Graças aos Orixás das águas, a terra é fertilizada, e a natureza nos transborda de beleza, alimentos e encantos. Não existe vida sem água, não existe axé sem água. A religião não exitiria sem a água. A partir da compreensão da dinâmica da religião tradicional africana é possível perceber que toda a natureza está interrelacionada, que os axés de todos os Orixás se complementam. E que a água é um dos elos de ligação entre o homem e o sagrado, entre o orun e o aye.

 

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REFERÊNCIA

SANTOS, Juana Elbein dos. Os Nàgô e a morte: Pàde, Àsèsè e o culto Égun na Bahia; traduzido pela Universidade Federal da Bahia. 13 ed. Petrópolis, Vozes, 2008.

 

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 * Texto escrito por Pai Ronie de Ogum , não autorizada a publicação em outros meios. Publicado em 07/05/2012

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