Orô: uma planta presente em todos os rituais afros gaúchos

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O orô é um arbusto que atinge cerca de 5 metros de altura, com galhos finos e brotação abundante. Apresenta floração de cor branca, é amplamente utilizada no Rio Grande do Sul e parte do Brasil, nos cultos afros em banhos de ervas, lavagem de ocutás entre outros ritos de iniciação. Para alguns uma planta de origem Africana (provavelmente Benin ou Nigéria, que teria vindo junto com os escravos), para outros uma planta que já encontrava-se no solo brasileiro e foi adaptada seu uso.

“O boldo-baiano (vernonia condensata) é um arbusto originário da África, e chega a alcançar de 2 a 5 metros de altura e pode se quebrar facilmente com o vento. Apresenta efeito carminativo e alivia os sintomas e úlceras e grastrites” (BUNN, 2012).

No Rio Grande do Sul, o boldo-baiano ganhou o nome de oro, com outras variações de nome em outras regiões, sendo utilizado, além de ritos religiosos para produção de chás, em grande parte do Brasil é associado pricipalmente aos orixás Ogum e Oxalá.

“O boldo-baianoassa-peixe ou alumã (Vernonia condensata) é uma planta da família Asteraceae, das mais cultivadas em jardins e hortas brasileiros. A sua origem é africana, tendo sido trazido com os escravizados desde a época colonial”. (Wikipedia, 2016)

Para o Prof. Jayro de Jesus (teólogo afro) “na falta do akoko no Rio Grande do Sul” provavelmente os primeiros africanos encontraram no orô uma planta com características muitos semelhantes”, fazendo uso desta forma para os seus ritos religiosos.

Segundo alguns antigos, não se deve deixar que a planta cresça acima da altura das casas, por não trazer boa sorte. Existe muita controversa neste sentido, pois ninguém sabe dizer ao certo o porque. Desta forma não se pode ter certeza que existam motivos reais para acreditar nisso, mas é o que a maioria do povo de santo faz, pois como dizem aprenderam assim, e a cultura gaúcha afro-religiosa costuma manter a tradição que foi aprendida de seus antepassados.

Talvez essa crença venha da constante necessidade de se quebrar seus galhos para a coleta das suas folhas, devido ao seu crescimento rápido, o que fazia com que a planta não tivesse condições de crescer de forma livre, já que ocorriam podas constantes, mantendo desta forma um porte baixo, ou ainda a sua facilidade de quebrar seus galhos com o vento, que também impossibilitava que ficasse alta.

Alguns iniciados descrevem o orô como uma planta dedicada a Xangô, no entanto a maioria das casas de tradição africana destinam o orô para todos os orixás cultuados. O fato é que é uma planta que já faz parte da tradição religiosa do Rio Grande do Sul, de fácil adaptação e crescimento muito rápido, que se reprroduz a partir de estacas ou sementes. É muito difícil encontrar uma casa de axé gaúcha que não exista orô plantado, geralmente na frente das casas. Não importa o motivo ou a tradição que se siga, ao cultuarmos qualquer planta ou tradição africana estamos cultuando a África que existe dentro de cada um de nós.

REFERÊNCIAS

BUNN, Karl. Glossário da medicina oculta de Samuel Aun Weur. [Livro eletrônico] 1 ed. Curitiba: Edisaw, 2012.

BOLDO-BAIANO. Disponível por https://pt.wikipedia.org/wiki/Boldo-baiano Acesso em 09 ago 2016

PEREIRA, Jayro de Jesus. (Conversa informal). Curso de teologia afrocentrada, 2015;

 

Pai Ronie de Ogum Adioko
Sobre Pai Ronie de Ogum Adioko 488 artigos
Pai Ronie é Licenciado em Matemática pela Uniasselvi, especialista em Mídias para educação (UFRGS), especialista em história e cultura afro (Uniasselvi). É babalorixá no Ilê Orixá, escritor, professor e estudioso da religião de matriz africana.

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