Egun: obrigação aos ancestrais

No último dia 4 de março, sábado, com início as 19 horas, foi realizado no Ilê Orixá, por Pai Ronie de Ogum Adioko, juntamente com Pai Alexandre de Oya Tofã e sua madrinha, mãe Fernanda de Xangô Fumilayo, na presença de filhos do axé Ilê Orixá e de Ilê Axé Orixá, rito aos ancestrais, já que estes sempre são cultuados antes do início de qualquer obrigação aos orixás. No Ilê Orixá esta obrigação somente podem participar os que possuem obrigação de 4 pé, sendo como as demais obrigações fechada aos que fazem parte do axé. Para saber como funciona tenta que estar presente, tem que viver o axé.

Para egum são sacralizados animais quadrúpedes e de pena que sempre irão depender de quais animais serão sacralizados aos orixás, se orixá receber somente aves, serão também sacralizadas somente aves para os ancestrais. Durante o rito os orixás chegam de uma forma diferente dá que todos estão acostumados a ver, para cumprimentar egum, e a maioria dos orixás não se manifesta.

Cultuar o ancestral é cultuar nosso início, nossa raiz, nossa excência. Egum é a forma que chamamos nossos ancestrais que de forma nenhuma são ruins, nunca chegam para amedrontar, para prejudicar alguém ou ainda para ficarem como escravos. Egum sempre é bom. Quem cultua para fazer o mal, cultua qualquer coisa, mas não cultua ancestral. Existe um sem número de espíritos em busca de receber culto.

Na crença yorubá não existe a ideia de pecado como nas religiões cristãs, mas se nos for perguntado o que de pior alguém pode fazer na religião é sem dúvida fazer algo errado para egum, pois ele é nossa estabilidade, nossa matriz. Não se pode utilizar os ritos para egum para fazer o mal, para destruir alguém, ou tentar fazer com que alguém fique doente. Egum é sempre força e axé de equilíbrio.

Egum é quem regulamenta o axé, quem dá sustentação, é quem determina o que fazemos, o que é certo e também o que é errado. Não existe culto para orixá sem antes se cultuar egum. Egum representa o início da religião e também o fim. Procurar entender a religião dos orixás sem antes entender egum significa buscar apenas uma parte sem início e também sem fim, é incompleta.

Fazer uma obrigação para os ancestrais é sempre motivo de muito respeito, de carinho, de amor, é sempre uma obrigação que traz saúde, harmonia e equilíbrio para o axé. Na religião sempre somos o resultado do que fazemos, do que cultuamos, de nossa conduta frente ao sagrado, de nossa conduta frente ao ancestral. Participar de uma obrigação aos ancestrais é o melhor momento de se buscar novas forças, novos caminhos de conquistas, de aprendizado e também de entendimento da nossa tradição.

O rito aos ancestrais é nossa obrigação mais importante, pois é quando chamamos quem nos deu origem para nos ver, para mostrar o que fizemos para eles. Somos sempre a soma do axé de todos que vieram antes de nós. Não adianta respeitar orixá, estar presente em obrigação para orixá se não fazemos isso para o ancestral, pois orixá respeita egum. Para entender quem somos na religião primeiro precisamos entender quem foram nossos ancestrais, quem foi egum.

Pai Ronie de Ogum e Pai Alexandre de Oya, agradecem a todos que dedicaram algumas horas do dia para prestigiarem nossos ancestrais, e deseja que todos recebam axé de muita saúde, paz, harmonia e estabilidade, pois quem cultua e respeita o ancestral está sempre em equilíbrio. Negar nossa origem ou desrespeitá-la é negar quem somos, é negar egum, é negar o ancestral. Axé a todos.

Sobre Pai Ronie de Ogum Adioko 835 artigos
Licenciado em Matemática (Uniasselvi), Graduando em Química (UNIP), especialista em Mídias para educação (UFRGS), especialista em história e Cultura Afro (Uniasselvi). É babalorixá no Ilê Orixá, escritor, professor e estudioso da religião de matriz africana.

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