Ilê orixá faz oficina para discutir sobre padrinhos e madrinhas

A noite do dia 3 de março foi de aprendizado na sede do Ilê Orixá, momento de conversar sobre a função dos padrinhos e madrinhas e a influência que estes apresentam na vida religiosa de cada um, estiveram presentes alguns filhos do axé, juntamente com Pai Alexandre de Oya, Pai Ronie de Ogum e Mãe Fernanda de Xangô.

Trazer sempre uma temática atual e necessária para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos membros do axé é uma preocupação constante da casa, pois a maior parte do aprendizado sobre a tradição religiosa que se cultua deve sempre ser buscada em nossos locais de culto, não existe uma única verdade e também não podemos simplesmente dizer que na religião se faz assim porque sempre foi, é necessário aprender para poder constantemente evoluir, como cidadãos, como seres humanos que buscam no sagrado formas de ajudar.

Pai Ronie iniciou a oficina explicando a função do padrinho na religião, sendo essa função de ajudar a conduzir o afilhado na sua caminhada religiosa, não devendo ser escolhido por impulso de simpatia com a pessoa, devemos escolher sempre pelo orixá da pessoa, e não se deve mudar de padrinho por qualquer coisa. Foi destacado por Pai Alexandre que não existe necessidade da escolha do padrinho for realizada no momento que lavar a cabeça, pois o axé do padrinho é de grande importância.

Inicialmente foi destacado sobre a postura de padrinho, que deve sempre orientar o afilhado, mas de forma nenhuma pode se usar da autoridade para isso, deve sim ser o exemplo de conduta frente ao sagrado. Pai Ronie destacou que um padrinho ou madrinha deve ser ter uma obrigação igual ou superior a do afilhado, nunca menor, e que sempre levamos junto uma parte do axé recebido não somente pelo pai ou mãe, mas também pelo padrinho ou madrinha.

Pai Alexandre destacou que somente o ato de realização de uma obrigação é que de fato efetiva a função de padrinho ou madrinha, que enquanto isso não ocorrer não o é, mesmo que desta forma considere. Ninguém se torna padrinho ou madrinha na hora da escolha, mas no momento que ocorre o rito que efetivamente realiza a obrigação.

É grande a responsabilidade ao escolher um padrinho ou madrinha, por isso deve ser uma decisão tomada com cuidado, pois deve-se observar o axé que se deseja receber, não se pode escolher um amigo se não concordamos com a sua conduta frente ao sagrado, foi destacado por Pai Ronie que “nem sempre o nosso melhor amigo é nosso melhor padrinho”.

Pai Alexandre lembrou ainda que quando não temos padrinho quem amarra o pano de cabeça, em caso de padrinho de ori é o pai ou mãe de santo, mas que isso os não faz padrinho, já que ele não pode ser pai ou mãe e padrinho ou madrinha ao mesmo tempo, pois o axé deve ser somado.

Para encerrar a oficina Pai Ronie lembra da importância da fé dentro da religião e Pai Alexandre da necessidade de amar os orixás, e acima de tudo nosso próprio orixá, pois não podemos amar os outros orixás se não amamos o nosso próprio orixá.

Esta oficina teve por objetivo fazer com que os filhos do axé compreendam melhor a dinâmica qque existe na escolha do padrinho e/ou da madrinha, e que esta escolha não é apenas decorativa ou de pouca importância. Assim como qualquer rito que se realiza dentro do axé, este é mais de extrema importância para a vida religiosa de todos.

Pai Ronie de Ogum Onire Adioko e Pai Alexandre de Oya Niqué Tofã agradecem a todos os que dedicaram uma parte do seu tempo para dialogar sobre este importante tema para o desenvolvimento de todos dentro do terreiro e desejam que o axé de todos os orixás esteja sempre junto de cada um.

Pai Ronie de Ogum Adioko
Sobre Pai Ronie de Ogum Adioko 545 artigos
Licenciado em Matemática (Uniasselvi), Graduando em Química (UNIP), especialista em Mídias para educação (UFRGS), especialista em história e Cultura Afro (Uniasselvi). É babalorixá no Ilê Orixá, escritor, professor e estudioso da religião de matriz africana.

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