Pai Alexandre de Oya realiza palestra na 28ª CRE sobre formação afro

Akóni ko ni ki a sika bi a ko nika ninu; tani nko'ni ki a to se rere.

O professor não nos ensina a fazer o mal, se não temos o mal por dentro. Quem nos ensina, ensina a fazer o bem. 

A 28ª Coordenadoria Regional de Educação (28ª CRE) realizou na quinta-feira (17/11) mais uma etapa da formação continuada em educação afro. O encontro aconteceu na sede da Coordendoria, a partir das 14h. Na pauta, estava a Lei 10.639/03, que institui a obrigatoriedade da inclusão da cultura afro no currículo escolar. Como continuidade da formação, a Coordenadoria convidou o professor de Educação Física e Especialista em História do Rio Grande do Sul, Alexandre que falou sobre os orixás cultuados na nação.

O professor Alexandre da escola CAIC, da Granja em Cachoeirinha, ou Pai Alexandre de Oya como é conhecido no meio religioso destacou que os orixás são divindades africanas, que representam forças da natureza, estas forças estão presentes em toda nossa volta, como por exemlo a terra, o fogo a água e o ar.

Os orixás vieram para o Brasil com os escravos, no Rio Grande do Sul, entraram principalmente pelo porto de Rio Grande. Em solo gaúcho escravos oriundos de diferentes etnias se reuniram com tempo e formaram a nação, onde destaca-se a Princesa Emília de Oya Lajá como uma das figuras mais expressantes.

Para poder cultuar seus orixás aqui no Brasil os escravos os sincretizaram com santos católicos o que possibilitou que a sua cultura fosse preservada.

Pai Alexandre destacou ainda que todas as comidas são de algum orixá, mas qu no Brasil alguns se destacam mais, o que ele chamou apenas de receita, “- quindim, cocada, pipoca .. mas comida de santo é mais do que isso, isso é apenas uma receita, mas quando eu falo de quindim como uma colega falou, eu estou falando de açucar, e quem consegue sobreviver sem açúcar, ninguém, o açúcar é a própria Oxum, porque para mim fazer um quindim eu tenho que ter açúcar, quando eu falo canjica, pipoca, eu me lembro de Obaluaie ou Xapanã ou Bará”. Na fala de Pai Alexandre observa-se o quanto cada orixá está presente na nossa alimentação.

Foi destacado ainda que as ferramentas dos orixás servem como forma defesa ou de sobrevivênia, não sendo utilizadas como forma de ataque ou destruição.

Também estiveram presentes durante o evento, e representaram alguns orixás, os filhos do Ilê Orixá Igor de Odé, Marcela de Oxum, Laércio de Xapanã, Silvana de Xangô, Jorge de Ogum e Zulamir de Oxum, que também estava representando a escola Neusa Brisola.

Pai Ronie de Ogum Adioko
Sobre Pai Ronie de Ogum Adioko 571 artigos
Licenciado em Matemática (Uniasselvi), Graduando em Química (UNIP), especialista em Mídias para educação (UFRGS), especialista em história e Cultura Afro (Uniasselvi). É babalorixá no Ilê Orixá, escritor, professor e estudioso da religião de matriz africana.

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