Todos somos responsáveis pela intolerância religiosa

Texto: Pai Ronie de Ogum Adioko

É muito comum em todo o Brasil muito se falar em respeito com a religiosidade africana, que é preciso ser tolerante com a religião do outro, que deve-se acabar com situações de intolerância religiosa, mas de concreto o que fazemos dentro de nossos terreiros? É preciso que todos construam uma cultura de efetivo respeito para com todos. É preciso que os nossos iniciados conheçam mais a nossa religião, a nossa história, as lutas de nossos antepassados, conhecer de verdade para poder debater.

De nada adianta pedir para que os não são iniciados sejam tolerantes se nós mesmos não somos, ser tolerante é sempre respeitar a fé do outro, a religiosidade que cada um confessa, pois somente desta forma é que poderemos cobrar que os outros também nos respeitem. Não adianta pedir tolerância existe intolerância entre os terreiros, se não existe ética entre todos os iniciados.

Não é uma religião diferente da nossa que é responsável pela intolerância, mas cada um que pratica cada uma das religiões que são vivenciadas, a intolerância é alimentada todos os dias, nos mais diversos locais, pelas mais variadas pessoas, assim todos também devemos ser responsabilizados por tentar eliminar a intolerância religiosa.

Somos intolerantes sempre que para evidenciar a nossa religiosidade, a nossa fé é necessário denegrir a fé de outro, pois cada um deve valorizar a sua fé, o que é sagrado para sí, mas sem para isso falar mal da religiosidade do outro.

Que este 21 de janeiro, data em que se comemora o Dia Mundial da Religião e no Brasil o Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa seja uma data de reflexão, para que cada um perceba formas de tentar unir todos, e de forma nenhuma desvalorizar a religiosidade do outro, pois sempre a união e integração nos une, nos faz sermos humanos, e desta forma nos aproxima mais do sagrado.

Fonte da imagem: https://twitter.com/senadofederal/status/1087335182103924736

Pai Ronie de Ogum Adioko
Sobre Pai Ronie de Ogum Adioko 710 artigos
Licenciado em Matemática (Uniasselvi), Graduando em Química (UNIP), especialista em Mídias para educação (UFRGS), especialista em história e Cultura Afro (Uniasselvi). É babalorixá no Ilê Orixá, escritor, professor e estudioso da religião de matriz africana.

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