Tronos para os orixás da Fortaleza Ilê Orixá

Fotos: Priscila de Ogum

Foi adquirido por Pai Ronie de Ogum Adioko e Pai Alexandre de Oya Tofã, durante a última viagem ao estado de São Paulo, os primeiros tronos para o axé, estes são em homenagem aos orixás Xangô Godô Aloxé, pois representa a origem religiosa e os tronos para os orixás Ogum Adioko e Oya Tofã, orixás regentes da Fortaleza Ilê Orixá, e assim símbolos do axé.

a cadeira ou trono é o símbolo máximo, pois marca o lugar de onde fala a autoridade, o ponto mais alto da assembléia, o centro do universo, o lugar do poder e da autoridade religiosa (Reginaldo Prandi, s/d)

Assim os tronos são representativos do axé, e durante festas ou serões dentro do axé são utilizados para os orixás subirem, mas são de uso exclusivo para eles ou convidados de Pai Ronie ou de Pai Alexandre, lembrando que serão sempre utilzados para pessoas mais velhas que forem solicitadas para sentarem, não podendo ninguém se sentar neles sem receber de forma formal um convite para isso, pois caso contrário isso mostra uma falta grave de respeito.

A cadeira de cada um é individual em tudo (Reginaldo Prandi, s/d)

E sendo individual a cadeira ou trono, o seu uso assim está sempre determinado de acordo com a vontade da autoridade que de direito lhe pertence. Na Fortaleza Ilê Orixá o trono de cada orixá é a representação da autoridade do orixá sobre o axé, por isso a cadeira de Xangô Aloxé é a maior em altura e também em representatividade, pois é símbolo maior do nosso axé.

“O trono ou a cadeira do pai ou da mãe-de-santo, que se confunde com a cadeira de seu orixá, é símbolo máximo de poder no candomblé [o mesmo vale para o batuque]. Mais que isso, símbolo sagrado, diante do qual os filhos se prostram, em cumprimento e respeito. Um pai ou mãe-de-santo, quando é confirmado no cargo, isto é, entronizado, é sentado na cadeira, como os reis e rainhas. A cadeira é o trono do terreiro, de onde a mãe ou o pai-de-santo governam” (Reginaldo Prandi, s/d)

E devemos sempre lembrar que a autoridade religiosa é sempre concedida por alguém, pois ninguém pode se colocar porque quer, mas sempre porque alguém colocou. É necessário ainda lembrar que o babaloroixá de Pai Ronie e Pai Alexandre é falecido, e assim sendo não temos a figura viva do pai de santo, mas a representação de seu orixá Xangô Aloxé.

FONTE: A CADEIRA NO CADOMBLÉ. Disponível por http://reginaldoprandi.fflch.usp.br/sites/reginaldoprandi.fflch.usp.br/files/inline-files/Cadeira_no_candomble.pdf

Sobre Pai Ronie de Ogum Adioko 973 artigos
Licenciado em Matemática (Uniasselvi), Graduando em Química (UNIP), especialista em Mídias para educação (UFRGS), especialista em história e Cultura Afro (Uniasselvi). É babalorixá no Ilê Orixá, escritor, professor e estudioso da religião de matriz africana.

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